sexta-feira, 19 de setembro de 2008


Madame de Saint Ange:

. Aos vinte e seis anos, já deveria ser uma beata e não passo da mais devassa de todas as mulheres...

Não se pode ter uma idéia de tudo quanto imagino, de tudo quanto quisera fazer;

Acreditava que, me limitando às mulheres, conseguiria tranquilidade; que meus desejos, uma vez concentrados em meu sexo, não transbordariam sobre o seu.

Quiméricos projetos, meu amigo, os prazeres de que desejava me privar pareceram-se ainda mais tenadores e me apercebi de que, quando se nasceu para a libertinagem, é inútil querer dominar-se: os fogosos desejos irrompem com mais força.

Enfim, querido, sou um animal anfíbio: gosto de tudo, tudo me diverte; quero conhecer todos os gêneros;

confesso que é uma extravagância completa de minha parte querer conhecer esse singular Dolmancé, que, como diz você, nunca possuiu as mulheres como o costume o prescreve, que, sodomita por princípio, idolatra o próprio sexo e só se rende ao nosso sob a cláusula especial de lhe oferecermos os encantos que está acostumado a encontrar entre os homens.

Veja, meu irmão, que bizarra fantasia! Quero ser o Ganimede desse novo Júpiter, quero gozar de seus gostos, de seus deboches, quero ser a vítima dos seus erros.


Descreva-me bem Dolmancé, afim de que o tenha na idéia antes que ele chegue; sabe que o conheço apenas por tê-lo encontrado durante alguns minutos numa casa onde estivemos.





- - Dolmancé acaba de completar trinta e seis anos; é alto, lindo aspecto, olhos vivos e espirituosos; mas algo de dureza e de maldade transparece nos seus traços.
Tem dentes lindíssimos; um certo dengue no mover a cintura e no andar, certamente pelo hábito de imitar as mulheres.
É elegantíssimo, tem voz agradável, várias habilidades e sobretudo espírito filosófico.
É o mais célebre ateu, o homem mais imoral, a corrupção mais completa e integral, o mais celerado dos indivíduos que possam existir.


MADAME - Como tudo isso me excita! Vou adorar esse homem.
Quais os seus gostos?

- As delícia de Sodoma, tanto passivas como ativas, são-lhe sempre agradáveis.
Prefere os homens, e se consente em se divertir com mulheres, é sob a seguinte condição:
Trocar de sexo com ele, prestando-se a todas as inversões.

MADAME - Dê-me, mais informações sobre o aspecto desse homem e sobre osprazeres que juntos gozaram:

-Dolmancé tinha sido informado por um dos meus amigos do soberbo membro que possuo, e fez com que o Marquês de V. nos convidasse a cear.
Uma vez em casa do Marquês tive que exibi-lo; pensei, a princípio, que fosse apenas curiosidade mas em breve percebi que era outro o motivo quando Dolmancé voltou-me um lindo cu, pedindo-me que gozasse nele. Eu o preveni das dificuldade da empresa.
Ele nada temia. "Posso suportar um aríete", disse-me, "e não tenha você a pretensão de ser o mais temível dos homens que o penetraram".
O Marquês estava presente e nos estimulava, acariciando, apertando e beijando tudo que nós puxávamos para fora.
Ponho-me a prepará-lo enquanto apresento armas... Mas o Marquês me avisa: "Nada disso, você tiraria metade do prazer que Dolmancé espera; ele quer uma violenta estocada, quer que o rasguem, " . Pois será satisfeito, exclamei, mergulhando cegamente no abismo... Pensa, que tive trabalho; nada disso, meu membro enorme desapareceu sem que eu sentisse e eu toquei o fundo de suas entranhas sem que o tipo desse qualquer sinal de sofrimento.
Tratei-o como amigo, torcia-se no excesso da volúpia, dizia palavras doces, e parecia felicíssimo quando o inundei.
Quando me desocupei dele, voltou-se com os cabelos em desordem e o rosto em chamas: veja em que estado você me pôs, querido disse-me, oferecendo um membro seco e vibrante, muito longo e fino.
Suplico-lhe, meu amor, queira servir-me de mulher depois de ter sido meu macho, para que eu possa dizer que nos seus braços divinos experimentei todos os prazeres do culto que venero. Cedi a seu pedido achando tudo isso bastante fácil, mas o Marquês, tirando as calças, suplicou-me que o enrabasse enquanto eraf odido pelo seu amigo.
Tratei-o como Dolmancé, que me devolvia ao cêntuplo todos os golpes com os quais eu abatia nosso parceiro e logo me derramou no fundo do cu o celeste licor com que eu regava ao mesmo tempo o cu do Marquês de V.

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