sábado, 20 de setembro de 2008

Cantares




Desde a primeira vez que lí esse 'poema' do Dalton, fiquei apaixonada por Sulamita...então:

Cantar 1

Se você não me agarrar todinha
aqui agora mesmo
só me resta morrer

se não abrir minha blusa
violento e carinhoso
me sugar o biquinho dos seios
por certo hei de morrer

estou certa perdidamente certa
se não me der uns bofetões estalados
não morder meus lábios
não me xingar de puta
já já hei de morrer

bata morda xingue
por favor morrerei querido
morrerei se você não deslizar
a mão direita sob a minha calcinha
murmurando gentilmente palavras porcas
sem dúvida hei de morrer

também certa a minha morte
se você não acariciar o meu púbis de Vênus
com o terceiro quirodáctilo
já caio morta de costas
defuntinha
toda morta de morte matada

morrerei gemendo chorando se você titilar
a pérola na concha bivalve
morrerei na fogueira aos gritos
se não o fizer amado meu

escuta se você não me ninar com cafuné
me fungar no cangote
mordiscar as bochechas da nalgame l
amber o mindinho do pé esquerdo
juro que hei de morrer

certo é o meu fim
te peço te suplico
meu macho
meu rei
meu cafetão
eu faço tudo o que você mandar
até o que a putinha de rua tem vergonha

eu fico toda nua
de joelho descabelada na tua cama
eu fico bem rampeira
ao gazeio da tua flauta de meleu

fico toda louca
aos golpes certeiros do teu ferrão
de fogo ereto duro mortal

ó meu santinho
meu puto
meu bem-querido
se você não me estuprar
agora agorinha mesmo
sem falta hei de morrer

Se não me currar em todas as posições indecentes
desde o cabelo até a unha do pé
taradão como só você é
certo que faleci me finei
todinha morta

se não me crucificar
entre beijos orgasmos tabefes
só me cabe morrer
minha morte é fatal
de sete mortes morrida mortinha de amor é Sulamita

Cantar 2

Ó não amado meu
moça honesta já não sou
e como poderia
se você me corrompeu até os ossos
ao deslizar a mão sob a minha calcinha
acariciou a secreta penugem arrepiada?

como seria honesta
se você me deitou nos teus braços
abriu cada botão da blusa
sussurrando putinha no ouvido esquerdo?

se pousou delicadamente sem pressa
a ponta dos dedos nos meus mamilos
até que ficassem duros altaneiros
apontando em riste só para você?

maneira não há de ser moça direita
depois de ter as bochechas da nalga
mordidas por teu canino afiado
que gravou em brasa para sempre
com este sinal sou tua

não nenhum resto de pureza
assim que descerrou os meus lábios
dardejando a tua língua poderosa
na minha enroscada em nó cego

como ser mocinha séria
depois de beijar todinho o teu corpo
com medo com gosto com vontade
de joelho descabelada mão posta
à sombra do cedro colosso do Líbano
mil escudos e treoféus pendurados

é possível ser moça de família
se me sinto a rosa de Sarom
orvalhada da manhã
com um só toque do teu terceiro quirodáctilo?

Ai precioso amado querido
meu corpo tem memória e febre
meu puto me abrace me beije
sirva-se tire sangue me rasgue inteira
satisfaça a tua e a minha fome
finca o teu pendão estrelado
onde ele deve estar

oh não meu príncipe senhor da guerra
mocinha séria já não sou
me boline devagarinho
no uniforme de gala da normalista
atenção às luvas brancas de renda

me derrube na tua cama
de lado supina de bruços
me desnude diante do espelho
me arrume de pé dentro do armário

me ponha de quatro
me faça de carneirinha viciosa do bruto pastor
me violente sem dó com firmeza
só isso mais nada

sim bem-querido meu
sou putinha feita pra te servir
me abuse desfrute se refocile
quero sim apanhar de chicotinho
obedecer a ordens safadas
submissa a todos os teus caprichos
taras perversões fantasias
quais são? como são? onde são?
me diga como posso ir à igreja

de véu no rosto Bíblia na mão
se você afastou com dois dedos firmes e doces
o mar vermelho entre as minhas pernas
expondo à vista ao ataque frontal
meu corpinho ansioso e assustado

me estuprou
me currou
me crucificou?

quando separou os joelhos
abrindo as minhas coxas
um querubim fogoso
de delícias me cobriu
com sua terceira asa de sarça ardente

como ser moça ingênua
se antes sou uma grande vadia
o teu exército com fanfarras desfilando
na minha cidadela arrombada?

ai quero te dar até o que não tenho
amado meu santuário meu
quero ser a tua cadelinha mais gostosa
como nunca terá igual

serei vagabunda eu juro
todas as posições diferentes
todos os gemidos gritos palavrões
todas as preces atendidas

desfaleço de desejo por você só você
montar o teu corpo cândido e rubincundo
é galopar no céu
entre corcéis empinados relinchantes

vem ó princesa minha
depressa vem ó doce putinha
aos gritos fortes do rei que batem à porta do meu coração
se move,
salta de um a outro lado do peito
já se derretem as minhas entranhas
o rosto do amor floresce nesse copo d'água

eu sou tua você é meu
por você inteirinha me perco
quem fez de mim o que sou?

sim amado meu
sou virgem princesa concubina
égua troteadora no carro do Faraó
vento norte água viva
sou rameira tua ramperia Sulamital
írio-do-vale pomba branca
morrendinha de tanto bem-querer
até que sejamos um só corpo
um só amor
um só
(*Cantares de Sulamita - Dalton Trevisan)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008


Madame de Saint Ange:

. Aos vinte e seis anos, já deveria ser uma beata e não passo da mais devassa de todas as mulheres...

Não se pode ter uma idéia de tudo quanto imagino, de tudo quanto quisera fazer;

Acreditava que, me limitando às mulheres, conseguiria tranquilidade; que meus desejos, uma vez concentrados em meu sexo, não transbordariam sobre o seu.

Quiméricos projetos, meu amigo, os prazeres de que desejava me privar pareceram-se ainda mais tenadores e me apercebi de que, quando se nasceu para a libertinagem, é inútil querer dominar-se: os fogosos desejos irrompem com mais força.

Enfim, querido, sou um animal anfíbio: gosto de tudo, tudo me diverte; quero conhecer todos os gêneros;

confesso que é uma extravagância completa de minha parte querer conhecer esse singular Dolmancé, que, como diz você, nunca possuiu as mulheres como o costume o prescreve, que, sodomita por princípio, idolatra o próprio sexo e só se rende ao nosso sob a cláusula especial de lhe oferecermos os encantos que está acostumado a encontrar entre os homens.

Veja, meu irmão, que bizarra fantasia! Quero ser o Ganimede desse novo Júpiter, quero gozar de seus gostos, de seus deboches, quero ser a vítima dos seus erros.


Descreva-me bem Dolmancé, afim de que o tenha na idéia antes que ele chegue; sabe que o conheço apenas por tê-lo encontrado durante alguns minutos numa casa onde estivemos.





- - Dolmancé acaba de completar trinta e seis anos; é alto, lindo aspecto, olhos vivos e espirituosos; mas algo de dureza e de maldade transparece nos seus traços.
Tem dentes lindíssimos; um certo dengue no mover a cintura e no andar, certamente pelo hábito de imitar as mulheres.
É elegantíssimo, tem voz agradável, várias habilidades e sobretudo espírito filosófico.
É o mais célebre ateu, o homem mais imoral, a corrupção mais completa e integral, o mais celerado dos indivíduos que possam existir.


MADAME - Como tudo isso me excita! Vou adorar esse homem.
Quais os seus gostos?

- As delícia de Sodoma, tanto passivas como ativas, são-lhe sempre agradáveis.
Prefere os homens, e se consente em se divertir com mulheres, é sob a seguinte condição:
Trocar de sexo com ele, prestando-se a todas as inversões.

MADAME - Dê-me, mais informações sobre o aspecto desse homem e sobre osprazeres que juntos gozaram:

-Dolmancé tinha sido informado por um dos meus amigos do soberbo membro que possuo, e fez com que o Marquês de V. nos convidasse a cear.
Uma vez em casa do Marquês tive que exibi-lo; pensei, a princípio, que fosse apenas curiosidade mas em breve percebi que era outro o motivo quando Dolmancé voltou-me um lindo cu, pedindo-me que gozasse nele. Eu o preveni das dificuldade da empresa.
Ele nada temia. "Posso suportar um aríete", disse-me, "e não tenha você a pretensão de ser o mais temível dos homens que o penetraram".
O Marquês estava presente e nos estimulava, acariciando, apertando e beijando tudo que nós puxávamos para fora.
Ponho-me a prepará-lo enquanto apresento armas... Mas o Marquês me avisa: "Nada disso, você tiraria metade do prazer que Dolmancé espera; ele quer uma violenta estocada, quer que o rasguem, " . Pois será satisfeito, exclamei, mergulhando cegamente no abismo... Pensa, que tive trabalho; nada disso, meu membro enorme desapareceu sem que eu sentisse e eu toquei o fundo de suas entranhas sem que o tipo desse qualquer sinal de sofrimento.
Tratei-o como amigo, torcia-se no excesso da volúpia, dizia palavras doces, e parecia felicíssimo quando o inundei.
Quando me desocupei dele, voltou-se com os cabelos em desordem e o rosto em chamas: veja em que estado você me pôs, querido disse-me, oferecendo um membro seco e vibrante, muito longo e fino.
Suplico-lhe, meu amor, queira servir-me de mulher depois de ter sido meu macho, para que eu possa dizer que nos seus braços divinos experimentei todos os prazeres do culto que venero. Cedi a seu pedido achando tudo isso bastante fácil, mas o Marquês, tirando as calças, suplicou-me que o enrabasse enquanto eraf odido pelo seu amigo.
Tratei-o como Dolmancé, que me devolvia ao cêntuplo todos os golpes com os quais eu abatia nosso parceiro e logo me derramou no fundo do cu o celeste licor com que eu regava ao mesmo tempo o cu do Marquês de V.

Filosofia da Alcova




Voluptuosos de todas as idades e de todos os sexos, é a vós somente que dedico esta obra;
alimentai-vos de seus princípios que favorecem vossas paixões; essas paixões que horrorizam os frios e tolos moralistas, são apenas os meios que a natureza emprega para submeter os homens aos fins que se propõe. Não resistais a essas paixões deliciosas: seus órgãos são os únicos que vos devem conduzir à felicidade.
Mulheres lúbricas, que a voluptuosa Saint-Ange seja vosso modelo; segui seu exemplo, desprezando tudo quanto contraria as leis divinas do prazer, que dominaram toda sua vida.
Jovens, há tanto tempo abafadas pelo liames absurdos e perigosos duma virtude fantástica,duma religião nojenta, imitai a ardente Eugênia; destruí, desprezai, com tanta rapidez quanto ela, todos os preceitos ridículos inculcados por pais imbecis.
E vós, amáveis devassos, vós que desde a juventude não tendes outros freios senão vossos desejos, outras leis senão os vossos caprichos, que o cínico Dolmancé vos sirva de exemplo; ide tão longe quanto ele, se como ele desejais percorrer todas as estradas floridas que a lubricidade vos prepara; convencei-vos, imitando-o, de que só alargando a esfera de seus gostos e suas fantasias, e, sacrificando tudo a volúpia, o infeliz indivíduo, conhecido sob o nome de homem e atirado a contragosto neste triste universo, pode conseguir entremear de rosas os espinhos da vida.
.
Sempre tive vontade de escrever algo.
Cheguei mesmo à pensar em escrever um romance...
Mas, escrever romance é complicado..., num romance existem uma multidão de personagens diferentes, cheio de conflitos... (se não tiver conflito não será um romance que preste)
Sou perfeccionista e seria impossível conhecer tudo acerca deles.
Quem eles são, o que pensam, como se vestem, de que familia vêem... E, devo confessar que isso não me interessou nem um pouco.
O romance é fruto de uma ilusão humana. A ilusão de poder compreender o outro.

Mas, se não compreendo nem a mim mesma, como poderia decifrar o outro?

Então, cheguei a conclusão de que tudo que eu posso fazer é apresentar um relato relacionado a mim mesma. Todo o resto seria abuso de poder.
Escrever à meu respeito, apresentar um relato da minha vida.

Ao mesmo tempo, não quero esconder que minha vida é completamente banal, comum, e que eu, vista do exterior, não vivi nada de original.
Mas tenho a impressão de que minha experiência interior vale à pena ser escrita, e poderia interessar a muita gente.
Tenho muitas vezes a impressão de que meu corpo inteiro está cheio de desejo de se exprimir.
De falar. De me fazer ouvir.

Vezemsempre penso que vou ficar louca, porque me sinto cheia à ponto de estourar, de ter vontade de gritar.
Berrar, mas acabo andando em círculos, mordendo meu próprio rabo.
Gostaria de expressar minha vida, meus sentimentos, que são, sei disso, nem um pouco originais... mas são meus!
Mas acabo travando quando me vejo diante de uma folha de papel, do teclado do meu computador... tenho tantos sentimentos dentro de mim, mas não sei verbalizar.

Então vou começar aos poucos, adquirir , primeiramente, confiança em mim mesma.
E, decidí, começar por desnudar meu lado sensual e erótico....
Vou postar textos, contos, fotos sensuais...
Coisas que despertam minha imaginação e meus desejos.



Cuidado, meus desejos costumam não ter medida.





Desejem-me sorte: